
Por PPJ
A criação do Grupo de Trabalho (GT) de Arbitragem pela CBF marca um momento de virada na gestão do apito no futebol brasileiro. Presidido por Netto Góes, escolha que tem sido tratada internamente como acertada pela sua postura técnica e capacidade de articulação, o GT nasceu com um mandato ambicioso: alinhar diretrizes, acelerar a profissionalização e implantar tecnologias que reduzam as controvérsias nas partidas grandes.
ANAF e Salmo Valentim: voz da categoria na mesa de decisões

A participação ativa da ANAF no GT, com o presidente Salmo Valentim representando os árbitros, é um dos elementos que dá credibilidade ao processo. A presença de uma entidade que agrupa a categoria nas deliberações serve tanto para aproximar a base das decisões quanto para levar demandas concretas como formação, calendário de testes, critérios de avaliação e proteção da integridade profissional, ao centro do debate. Observadores ouvidos pela reportagem classificam a indicação de Salmo como movimentação correta: aposta na experiência prática e na capacidade de dialogar com clubes e federações.
Do campo de treino à tecnologia: o plano em construção
Nas últimas semanas o GT intensificou treinamentos e sessões técnicas inclusive uma concentração na Granja Comary que reuniu árbitros das Séries A e B com o objetivo de uniformizar procedimentos e preparar a categoria para mudanças técnicas já em pauta para 2026. Entre as inovações anunciadas pela CBF está a implantação do impedimento semiautomático, medida que exige calibração entre operadores, VAR e equipe de campo para evitar efeitos colaterais e falhas de comunicação.
Por que isso importa: polêmicas ainda vivas e expectativas da torcida

O ambiente em torno da arbitragem ainda carrega desconfiança: pesquisas recentes mostram insatisfação considerável do torcedor com as decisões de arbitragem, e o uso do VAR em 2025 registrou um número elevado de interferências que alimentaram debates públicos. Esses dois fatores expectativa por menos erros e maior transparência são o motor do GT, que precisa transformar boas intenções em rotinas sólidas durante o Brasileirão e nas competições seguintes.
Desafios concretos até o fim do Brasileirão e para 2026
- Consistência de interpretação e comunicação: treinar não só regras, mas linguagem comum entre árbitros, VAR e clubes; reduzir variações de interpretação entre regiões.
- Integração da tecnologia: implantar o impedimento semiautomático sem gerar novos ruídos exige simulações, clareza sobre protocolos e fases de implementação testadas em campeonatos menores antes do ápice da temporada.
- Profissionalização e calendário: muitos especialistas apontam que a profissionalização é imprescindível para dar estabilidade aos árbitros jornada dedicada, centros de treinamento e critérios transparentes de avaliação. Essa transição precisa de investimento e calendário compatível com a rotina dos profissionais.
- Gestão de crise e transparência: quando ocorrerem erros ou decisões controversas, protocolos de comunicação e explicação pública (com dados e vídeos) ajudam a reduzir desinformação e teorias de conspiração. A CBF já tem avançado em medidas de transparência que podem servir de base.
Por que a gestão de Netto Góes e a participação da ANAF são centrais

Netto Góes vem conduzindo o GT com ênfase em articulação entre federações, clubes e especialistas, postura considerada essencial para viabilizar mudanças técnicas que dependem de amplo consenso. Ao mesmo tempo, a participação de Salmo Valentim e da ANAF garante que as propostas sejam testadas e aceitas pela base que executará as decisões na prática. Essa combinação entre liderança institucional + representação da categoria aumenta as chances de que o GT entregue, além de um relatório técnico, um pacote de medidas factíveis e mensuráveis.
Caminho à frente: metas mensuráveis
Fontes ligadas ao GT informam que o grupo trabalha para apresentar diretrizes claras em 60 dias (prazo previsto na abertura dos trabalhos), incluindo cronograma de treinamentos, protocolos de uso do novo sistema de impedimento e modelo de avaliação contínua para árbitros. Se cumpridas com transparência, essas metas podem reduzir polêmicas e elevar a confiança no apito até 2026, mas sua execução depende de disciplina, recursos e capacidade política para enfrentar resistências locais.
Conclusão
O Brasil vive um momento de oportunidade: o GT de Arbitragem tem estrutura e interlocução para transformar queixas antigas em soluções técnicas e organizacionais. A presença de Netto Góes na presidência do GT cria um equilíbrio promissor na direção institucional e menos problemas para a CBF. O desafio agora é tomar decisões difíceis, testar tecnologias com critério e oferecer à torcida e ao próprio jogo o bem mais precioso: credibilidade.




