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Desafios do apito no Brasil: O fim do celeiro de talentos e a urgência por renovação

Brasil deixou de ser referência na formação de árbitros e hoje aposta no mais do mesmo; renovação do quadro FIFA para 2026 será decisiva para reverter a crise.

Mesmo sendo FIFA, o paulista Flavio Souza ainda não conseguiu mostrar sua qualidade fora do Brasil

O Brasil, que já foi referência mundial na formação de árbitros de futebol, atravessa a pior fase de sua história no que se refere à qualidade humana do seu quadro de arbitragem. O país, outrora celeiro de grandes nomes, apostou no mais do mesmo e estagnou, perdendo espaço no cenário internacional. Talvez seja por isso que hoje há no campeonato brasileiro árbitros com mais de 50 anos atuando, atrapalhando o processo de renovação.

O atual quadro FIFA brasileiro reflete bem essa crise. Hoje, apenas Wilton Pereira Sampaio, ainda o melhor árbitro do país, e Raphael Claus, apesar de não estar entre eles, são os únicos que saem para eventos internacionais. Os demais, embora carreguem o escudo da FIFA no peito, apenas compõem a lista, sem protagonismo nas grandes competições mundiais.

A situação dos assistentes não é diferente. As escolhas têm se mostrado frágeis e a renovação caminha a passos lentos, comprometendo o futuro da arbitragem brasileira. É um quadro que exige mudanças urgentes, e Rodrigo Cintra, novo chefe da arbitragem da CBF, tem ciência disso. Uma de suas principais missões será promover uma renovação profunda no final do ano, independentemente da idade dos árbitros.

Entre os nomes que ilustram essa crise está Flávio Rodrigues de Souza. Árbitro qualificado e talentoso, ele sentiu o peso do escudo FIFA ao representar a federação mais rica do Brasil. No entanto, sua carreira internacional não deslanchou, evidenciando as dificuldades que mesmo os bons árbitros enfrentam para se firmar fora do país.

Daronco já esteve entre os melhores árbitros do Brasil, mas carreira internacional não decolou

Outro caso emblemático é o de Anderson Daronco. O gaúcho, que já esteve entre os principais árbitros do país, hoje apita mais pelo nome do que pelo desempenho. Seu perfil exageradamente avantajado destoa do padrão que a FIFA simpatiza  para árbitros em grandes competições, principalmente quando olhamos para a Europa, e isso fez com que ele fosse deixado de lado em eventos internacionais.

Na arbitragem feminina, a discrepância de oportunidades entre regiões do Brasil é evidente. O Norte e o Nordeste possuem árbitras talentosas, mas a falta de espaço para elas favorece quem está no eixo Sul-Sudeste. Os critérios de promoção na carreira seguem um viés que precisa ser revisto para garantir que a meritocracia prevaleça e que todas tenham chances reais de ascensão.

Rodrigo Cintra tem em mãos um desafio complexo, mas necessário. A renovação do quadro FIFA para 2026 precisa ser uma prioridade e não pode se prender a idade ou tradição. O Brasil precisa voltar a ser referência em arbitragem, e para isso, é essencial romper com o conformismo e buscar um novo caminho pois, caso contrário, ele será apenas mais um, entre tantos dirigentes que a CBF contratou, mas que nenhum legado positivo conseguiram deixar.

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