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Fogo amigo tem outro endereço: bastidores apontam terceira via por trás da ofensiva contra Samir Xaud

Relatos internos descartam participação dos “dois Gustavos” nos vazamentos recentes e apontam para um grupo que aposta no caos político para dividir a cúpula da CBF e enfraquecer o presidente durante a Copa do Mundo

Gustavo Feijó, diretor de Seleções da CBF, ao lado de Samir Xaud

Por: Pedro Paulo de Jesus 

A guerra política que tomou conta dos bastidores da CBF ganhou um novo capítulo nos últimos dias. Mas, ao contrário do que algumas versões tentam fazer crer, fontes ouvidas por dirigentes ligados à entidade acreditam que o fogo amigo que atingiu o presidente da CBF, Samir Xaud, não partiu de nenhum dos dois nomes que vêm sendo colocados no centro das especulações.  

A própria reportagem do UOL, hoje divulgada, revela que duas correntes tentam atribuir os vazamentos ao vice-presidente Gustavo Dias Henrique e ao diretor de seleções Gustavo Feijó. Ambos, entretanto, rejeitam qualquer participação em movimentos para enfraquecer o atual presidente.  

Gustavo Dias Henrique, inclusive, integra a chapa eleita por Samir Xaud e figura entre os oito vice-presidentes escolhidos para a atual gestão. Já Gustavo Feijó ocupa um dos cargos mais estratégicos da administração, à frente da Diretoria de Seleções.  

Nos bastidores, cresce a avaliação de que a tentativa de colocar um Gustavo contra o outro, ou ambos contra Samir Xaud, pode fazer parte justamente da estratégia de quem deseja esconder os verdadeiros autores da articulação.

A tese que ganha força entre dirigentes é a existência de uma terceira via política. Um grupo que não aparece publicamente, mas que estaria utilizando vazamentos seletivos, narrativas direcionadas e ataques pessoais para produzir um ambiente permanente de instabilidade dentro da entidade.  

O objetivo seria simples: criar divisões internas, estimular a desconfiança entre integrantes da própria administração e enfraquecer a liderança do presidente em um momento de enorme exposição internacional por causa da Copa do Mundo.

O episódio envolvendo a divulgação de imagens de Samir Xaud em um hotel de Nova York é visto por muitas pessoas da própria CBF como parte desse contexto. Mais do que a fotografia em si, a grande pergunta passou a ser outra: quem registrou as imagens, quem teve acesso ao material e quem tinha interesse político em transformá-las em manchete nacional?  

A Tribuna do Apito apurou que avança a identificação dos responsáveis pela produção e disseminação do conteúdo que tentou atingir o presidente da entidade. A investigação jornalística conduzida pelo portal reúne elementos que podem ajudar a esclarecer a origem da operação de desgaste e os interesses existentes por trás dela.

Nos corredores da CBF, cresce a percepção de que o verdadeiro jogo não está sendo disputado entre Samir Xaud e os dois Gustavos. O confronto seria muito maior. De um lado, uma administração recém-eleita tentando consolidar seu espaço. Do outro, grupos que perderam influência ou que desejam ampliar seu poder dentro da estrutura do futebol brasileiro.

Por isso, para muitos observadores, o maior erro seria acreditar que todos os ataques possuem a mesma origem. Enquanto os holofotes se concentram em nomes conhecidos, os verdadeiros articuladores seguem operando nas sombras, alimentando versões, promovendo vazamentos e tentando transformar divergências políticas em uma crise institucional.

Em plena Copa do Mundo, a disputa mais importante da CBF parece não acontecer dentro das quatro linhas. E, cada vez mais, os indícios apontam que aqueles que promovem o caos não são necessariamente aqueles que estão sendo acusados de promovê-lo.  

 

 

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