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A quem interessa desgastar Samir Xaud?

Exposição da vida privada de Samir Xaud levanta suspeitas sobre uma campanha de desgaste que pode estar sendo alimentada por interesses internos na própria CBF

Samir Xaud assumiu a CBF em um dos momentos mais desgastantes da história da entidade e conseguiu zerar escândalos apostando em gestão

Por: Pedro Paulo de Jesus 

A divulgação de fotografias de Samir Xaud durante um jantar com uma mulher, acompanhada de insinuações sobre um suposto relacionamento amoroso, colocou novamente em evidência uma questão que vai muito além da vida pessoal do presidente da CBF: quem está por trás da tentativa de transformar situações privadas em escândalos públicos?

A reportagem divulgada nesta segunda-feira gerou repercussão imediata. Mas, nos bastidores do futebol brasileiro, a discussão tomou outro rumo. O foco deixou de ser o jantar e passou a ser a origem da exposição.

Afinal, quem ganha com isso?

Quem se beneficia ao ver o presidente da maior entidade do futebol brasileiro tendo sua imagem associada a manchetes que nada têm a ver com gestão, competições, arbitragem ou administração do esporte?

Não é segredo para ninguém que a política do futebol é marcada por disputas de poder. E quem conhece os bastidores da CBF sabe que as guerras mais intensas nem sempre acontecem diante das câmeras. Muitas vezes elas são travadas nos corredores, nos vazamentos seletivos e nas articulações silenciosas.

O que chama atenção neste episódio é que não se trata de uma denúncia relacionada à condução da entidade, à gestão financeira ou a qualquer ato administrativo praticado por Samir Xaud à frente da CBF. Trata-se da divulgação de imagens de um jantar, acompanhadas por especulações e interpretações sobre a vida privada do dirigente.

E é justamente aí que surge a principal pergunta.

Se o objetivo fosse discutir futebol, governança ou administração, por que o assunto seria um jantar?

Se o objetivo fosse avaliar a gestão, por que a pauta seria a vida pessoal?

Nos bastidores, cresce a percepção de que há setores interessados em desgastar a imagem de Samir Xaud perante a opinião pública. Um movimento que busca criar desgaste reputacional onde não existe debate administrativo.

O chamado “fogo amigo” não é novidade na história do futebol brasileiro. Em diferentes momentos, dirigentes foram alvo de vazamentos internos e campanhas de enfraquecimento promovidas por grupos que perderam espaço ou influência dentro das estruturas de poder.

A estratégia costuma ser simples: quando não é possível atacar a gestão, ataca-se a imagem.

Quando não existem fatos relacionados à administração capazes de produzir desgaste, busca-se criar narrativas paralelas.

O problema é que essa prática não atinge apenas o dirigente. Ela enfraquece a instituição.

A CBF precisa discutir o futuro do futebol brasileiro, o fortalecimento das competições, a valorização da arbitragem, a formação de atletas e os desafios da modalidade. Quando a agenda é substituída por especulações sobre a vida privada de seus dirigentes, perde o debate esportivo e perde o próprio futebol.

Samir Xaud, como qualquer figura pública, está sujeito ao escrutínio e à crítica. Mas existe uma diferença clara entre fiscalizar atos de gestão e transformar aspectos da vida pessoal em instrumento de combate político.

Por isso, mais importante do que analisar a fotografia de um jantar é compreender quem teve interesse em transformá-la em manchete.

Porque, em política e no futebol, raramente um vazamento acontece por acaso.

E quando a notícia parece ter um alvo muito definido, talvez a pergunta mais importante não seja sobre quem aparece na foto.

Mas sobre quem está atrás da câmera.

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