{"id":3386,"date":"2026-06-12T16:07:53","date_gmt":"2026-06-12T19:07:53","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadoapito.com.br\/home\/?p=3386"},"modified":"2026-06-12T16:10:39","modified_gmt":"2026-06-12T19:10:39","slug":"gloria-poder-e-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadoapito.com.br\/home\/gloria-poder-e-solidao\/","title":{"rendered":"Gl\u00f3ria, poder e solid\u00e3o: a queda de Martins Cintra na CBF"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3387\" aria-describedby=\"caption-attachment-3387\" style=\"width: 1535px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3387\" src=\"https:\/\/tribunadoapito.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B0CB0324-0BF9-48B0-BC5A-33706825C70F.png\" alt=\"\" width=\"1535\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/tribunadoapito.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B0CB0324-0BF9-48B0-BC5A-33706825C70F.png 1535w, https:\/\/tribunadoapito.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B0CB0324-0BF9-48B0-BC5A-33706825C70F-300x200.png 300w, https:\/\/tribunadoapito.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B0CB0324-0BF9-48B0-BC5A-33706825C70F-1024x683.png 1024w, https:\/\/tribunadoapito.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B0CB0324-0BF9-48B0-BC5A-33706825C70F-768x512.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1535px) 100vw, 1535px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3387\" class=\"wp-caption-text\">Rodrigo Cintra foi demitido da CBF pelo telefone ap\u00f3s 1 ano e 6 meses de trabalho \u00e0 frente da Comiss\u00e3o de Arbitragem<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><b><i>Por: Pedro Paulo de Jesus <\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p>O futebol brasileiro tem o h\u00e1bito de transformar protagonistas em personagens descart\u00e1veis. A mesma estrutura que aplaude resultados costuma abandonar seus l\u00edderes quando os ventos mudam de dire\u00e7\u00e3o. A sa\u00edda de Rodrigo Cintra do comando da Comiss\u00e3o de Arbitragem da CBF parece seguir exatamente esse roteiro.<\/p>\n<p>Anunciada pela entidade no in\u00edcio desta semana, a troca coloca Sandro Meira Ricci \u00e0 frente do setor mais sens\u00edvel do futebol nacional, encerrando uma passagem que durou pouco mais de um ano, mas que foi marcada por profundas transforma\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m por intensas disputas de bastidores. A decis\u00e3o ocorre em um momento de reformula\u00e7\u00e3o da estrutura da arbitragem brasileira e poucos meses ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o do projeto de profissionaliza\u00e7\u00e3o dos \u00e1rbitros, uma das principais bandeiras da gest\u00e3o de Cintra.<\/p>\n<p>Trazido para a CBF durante a administra\u00e7\u00e3o de Ednaldo Rodrigues, Rodrigo Cintra carregava desde o in\u00edcio um desafio quase imposs\u00edvel: reconstruir a credibilidade de um departamento que acumulava cr\u00edticas de clubes, dirigentes, atletas e torcedores. Herdou uma estrutura desgastada, consequ\u00eancia de anos de questionamentos e da turbulenta reta final da gest\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>Seus defensores afirmam que ele encontrou uma casa em chamas e conseguiu ao menos controlar parte do inc\u00eandio. Seus cr\u00edticos argumentam que a reconstru\u00e7\u00e3o jamais alcan\u00e7ou a velocidade prometida.<\/p>\n<p>A verdade provavelmente est\u00e1 no meio do caminho.<\/p>\n<p>Cintra participou ativamente da implanta\u00e7\u00e3o da profissionaliza\u00e7\u00e3o da arbitragem, algo discutido h\u00e1 d\u00e9cadas no futebol brasileiro e que finalmente come\u00e7ou a sair do papel. Tamb\u00e9m esteve envolvido em projetos tecnol\u00f3gicos e em iniciativas de moderniza\u00e7\u00e3o que receberam elogios internos e externos.<\/p>\n<p>Mas nem sempre compet\u00eancia t\u00e9cnica \u00e9 suficiente para garantir sobreviv\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Nos corredores do futebol, costuma-se dizer que o poder n\u00e3o pertence necessariamente a quem ocupa a cadeira mais vis\u00edvel. Pertence a quem controla as engrenagens. E foi justamente nesse terreno que a gest\u00e3o de Cintra encontrou seus maiores obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>Pessoas ligadas ao ambiente da arbitragem relatam que sua governabilidade come\u00e7ou a sofrer desgaste quando optou por preservar boa parte da estrutura herdada da administra\u00e7\u00e3o anterior. A decis\u00e3o, vista inicialmente como sinal de estabilidade, acabou produzindo ru\u00eddos internos e dificultando a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade pr\u00f3pria para sua gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo dos meses, tamb\u00e9m se acumulavam relatos sobre dificuldades de relacionamento, promessas nem sempre cumpridas e uma crescente dist\u00e2ncia entre discurso e execu\u00e7\u00e3o. Em pol\u00edtica esportiva, isso costuma cobrar um pre\u00e7o elevado.<\/p>\n<p>Outro fator determinante foi a mudan\u00e7a do cen\u00e1rio pol\u00edtico dentro da pr\u00f3pria CBF. A sa\u00edda de Ednaldo Rodrigues representou o enfraquecimento natural de diversos nomes associados \u00e0 sua administra\u00e7\u00e3o. Cintra estava entre eles.<\/p>\n<p>Quando a sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desaparece, at\u00e9 mesmo projetos considerados bem-sucedidos passam a ser analisados sob outra \u00f3tica.<\/p>\n<p>Nos bastidores, a rela\u00e7\u00e3o com Netto G\u00f3es, diretor executivo de arbitragem e figura cada vez mais influente na estrutura da entidade, tornou-se um dos principais pontos de desgaste. O que come\u00e7ou como uma conviv\u00eancia institucional transformou-se, segundo relatos de pessoas pr\u00f3ximas ao setor, em uma diverg\u00eancia p\u00fablica de vis\u00f5es sobre os rumos da arbitragem brasileira.<\/p>\n<p>Talvez tenha sido o maior erro estrat\u00e9gico de Cintra.<\/p>\n<p>Subestimar quem det\u00e9m poder efetivo dentro de uma organiza\u00e7\u00e3o raramente produz finais felizes.<\/p>\n<p>Quando a decis\u00e3o de mudan\u00e7a amadureceu internamente, o desfecho parecia inevit\u00e1vel. A perman\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o dependia apenas dos resultados entregues, mas da capacidade de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que sustenta qualquer dirigente em cargos de alto escal\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua sa\u00edda abre espa\u00e7o para Sandro Meira Ricci, ex-\u00e1rbitro FIFA, profissional respeitado internacionalmente e que chega com a miss\u00e3o de dar continuidade ao processo de profissionaliza\u00e7\u00e3o enquanto tenta reduzir a temperatura das constantes crises envolvendo a arbitragem nacional.<\/p>\n<p>Para Rodrigo Cintra, fica um legado que certamente ser\u00e1 debatido durante muito tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o respons\u00e1vel pelos problemas hist\u00f3ricos da arbitragem brasileira. Tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu solucion\u00e1-los por completo.<\/p>\n<p>Assumiu uma das fun\u00e7\u00f5es mais ingratas do futebol nacional, conviveu diariamente com press\u00e3o permanente e ajudou a implementar mudan\u00e7as que podem produzir efeitos positivos nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, sua trajet\u00f3ria serve como lembrete de uma velha m\u00e1xima dos bastidores do poder: cargos elevados costumam proporcionar prest\u00edgio, influ\u00eancia e reconhecimento. Mas tamb\u00e9m carregam um efeito colateral silencioso.<\/p>\n<p>A solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Porque, no futebol, os aplausos costumam ser numerosos enquanto a cadeira est\u00e1 ocupada.<\/p>\n<p>Quando ela fica vazia, quase sempre sobra apenas o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Pedro Paulo de Jesus O futebol brasileiro tem o h\u00e1bito de transformar protagonistas em personagens descart\u00e1veis. 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