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Comissão de árbitros da CBF: saiba quem deve assumir a pasta em 2022

Reformulação de um dos setores mais caros da CBF deve seguir tendência da alta cúpula da entidade e ter um gestor nordestino à frente da arbitragem brasileira

O discurso deles é sempre o mesmo: não posso, tampouco tenho interesse. Mas no íntimo, a chance de comandar a arbitragem brasileira e garantir um dos salários mais cobiçados do futebol, tem feito muita gente apelar para simpatias, orações e até pedidos políticos a ex-presidentes que por lá passaram.

Com a missão de resgatar a credibilidade da arbitragem brasileira assolada pela má gestão que a sucumbe nos últimos 16 anos, a CBF busca um nome de consenso que tenha um perfil mais administrativo sem a necessidade de ter sido árbitro ou alguém de destaque no futebol. Na visão da alta cúpula da entidade, quanto menos exposição negativa, melhor.

À Tribuna do Apito, Ednaldo Rodrigues garantiu reformular o setor colocando pessoas que tenham um projeto de gestão que vise estimular a prática esportiva com excelência e qualidade. Ainda segundo o presidente da CBF, uma mudança radical será feita dando espaço a um choque de gestão necessário e esperado para o quadro.

Diante desse panorama, algumas especulações a todo tempo surgem no cenário nacional. Uma delas e a mais provável sobretudo pela boa relação política que possui tanto com Ednaldo Rodrigues, quanto com Gustavo Feijó, é a do ex-árbitro pernambucano, Salmo Valentim, ser o eleito. Titular da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol – ANAF, o dirigente é especialista em gestão esportiva, além de ser advogado, economista e ter passado tanto pelo Sindicato dos Árbitros de Pernambuco, quanto pela comissão de arbitragem de seu estado. Há quase 30 anos diretor de um respeitado grupo empresarial nacional, Valentim possui bom trânsito na política, é querido pelas federações e respeitado, sem ter a caneta, por árbitros e dirigentes esportivos de todo país.

Correndo por fora buscando apoio para consolidar seu nome, está o ex-árbitro catarinense, Giulliano Bozzano. Também muito respeitado no meio pela carreira consolidada que teve dentro de campo, o que atrapalha sua indicação é o fato de sua imagem estar atrelada as gestões que não deram certo na comissão, tendo em vista que há anos ele atua na CBF como titular da que será extinta Escola Nacional de Arbitragem.

Embora tenha o apoio do vice-presidente Castellar Neto, que fracassou no plano de se tornar presidente da CBF, Bozzano se queimou com a tentativa frustrada de Leonardo Gaciba, ex-presidente da comissão nacional que, ao ser demitido, tentou impôr a Ednaldo Rodrigues seu nome para substituí-lo, algo que até hoje o dirigente baiano não engole. Para muitas federações, caso coloque Bozzano, Rodrigues estaria trocando “seis por meia dúzia”, tendo em vista a visibilidade dele junto a Alício Pena Júnior, dirigente que deve deixar a entidade ainda esse mês após assinar, junto com Gaciba e Sérgio Corrêa, o fracasso da arbitragem nos últimos anos.

O alagoano Charles Hebert acabou naturalmente virando um nome entre os possíveis candidatos. Com uma gestão independente em Alagoas é  respeitado e admirado pelos árbitros. Embora possua algumas aspirações políticas em seu estado, a arbitragem nunca será segundo plano em sua trajetória profissional. Mesmo não tendo uma visibilidade nacional consolidada, sua honestidade, talento e bom caráter é um dos seus principais pré-requisitos.

Independente do escolhido, há no país uma enorme expectativa pelas saídas de Alício Pena Júnior e, principalmente, Sérgio Corrêa em definitivo, da CBF. Enquanto a entidade promove o esporte e Corrêa insinua que para “matar pessoas é necessário ser educado”, a arbitragem brasileira segue caindo ao fundo do poço sem uma alternativa que possa efetivamente estancar essa crise que parece sem fim.

Com o pior quadro internacional de sua história, a contestada promoção de Sávio Sampaio comprova a solidez de um projeto falido que beneficia a falta de talento. Isso tudo em um país considerado do futebol, mas que por anos maltratou a arbitragem dando poder a quem até hoje persegue e se vinga dos que não concordam ou simplesmente não seguem sua cartilha.

 

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