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Com gestão fracassada e sem autonomia na FPF, Lúcio Ipojucan faz arbitragem paraense agonizar

Sem um projeto que resgate a autoestima do quadro, diretor de árbitros da Federação Paraense de Futebol não tem autonomia para escalar e legado vazio afeta o futuro da categoria no Estado

Lúcio Ipojucan em meio ao desânimo dos árbitros que escutam calados as suas explicações

São Paulo – Abra as escalas da CBF e perceba a drástica queda da arbitragem paraense no cenário nacional. Sem um projeto coeso, robusto que evidencie os bons profissionais que o estado possui, a comissão de árbitros da Federação Paraense de Futebol (FPF), assolada pela falta de investimentos e, principalmente, pela incapacidade técnica de seu gestor, segue sem saber o que fazer.

Ex-assistente da CBF aposentado dos gramados depois de sofrer o mesmo problema que seus árbitros vivem hoje, ou seja, a falta de reconhecimento profissional, Lúcio Ipojucan teve uma carreira respeitável no futebol, mas sua rápida promoção à comissão acabou evidenciando o que já era esperado: sem projeto, investimento e coragem para mudar a triste realidade encontrada no Pará hoje, a arbitragem acabou sucumbindo a própria sorte.

A responsabilidade do fracasso de seu trabalho pode facilmente ser compartilhada com o que o país acompanha na gestão de Adelcio Torres, presidente da federação. Isolado politicamente, sem o apoio do Coronel Nunes, ex-presidente da FPF responsável por sua ascensão, e com a reeleição na berlinda, coube a Maurício Bororó, nome de consenso no futebol paraense a árdua e difícil missão de apagar o fogo tentando desmistificar algo que na prática não funciona.

A má gestão de Adelcio à frente do futebol paraense acabou esbarrando diretamente no desempenho dos clubes em competições nacionais e, principalmente, na arbitragem. Um dos fatores preponderantes foi a esdrúxula redução de 50% das taxas de arbitragem no estadual deste ano, em uma decisão unilateral que mostra não só a desunião da arbitragem paraense que deveria paralisar a competição, como a falta de compromisso do presidente da federação com todo o seu quadro.

Não é novidade que durante alguns anos das décadas de 80 e 90, a arbitragem paraense viveu tempos nebulosos, mas que hoje fazem parte do passado. Muito disso graças ao que foi feito na gestão do Coronel Nunes, hoje vice-presidente da CBF que na época implantou um choque de ordem para pôr fim a uma série de denúncias que recebia em relação ao comportamento de alguns desses profissionais.

Mas não precisa ser especialista no assunto para saber que a redução das taxas de arbitragem acaba tornando os árbitros mais vulneráveis a qualquer tipo de ação inescrupulosa que possa trazer ainda mais prejuízos para o futebol paraense. Mesmo composto por pessoas honestas, infelizmente a categoria, com um sindicato omisso e sem representatividade, acabou sendo abandonada a própria sorte.

Adelcio Torres, presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF)

Enquanto isso, sem um projeto para mudar essa triste realidade, Lúcio Ipojucan segue no cargo recebendo seu salário com a mesma inquietude que norteia todo o quadro que infelizmente se acostumou viver com pouco. No último domingo (04), o árbitro Marcos Soares Almeida conduziu, com maestria, o clássico de maior rivalidade do estado. A grande novidade da temporada é que ele recebeu a bagatela de R$ 712 como taxa de arbitragem, panorama que entristece os que fazem o futebol no Brasil e envergonha a arbitragem como um todo.

A eleição que definirá o novo presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF) está próxima e tudo caminha para que Paulo Romano seja eleito. Se isso ocorrer, os árbitros terão na presidência um gestor que conhece as dificuldades da categoria e que vai fazer toda a diferença no futuro desses profissionais que merecem não só respeito, como também, a dignidade perdida desde a posse de Adelcio Torres.

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