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Edna Alves e a frustração de Afonso Vitor por ter ignorado seu talento

Diretor de árbitros da Federação Paranaense de Futebol perdeu a chance de fazer história com melhor FIFA do país em seu quadro de arbitragem

Rio de Janeiro – Assim como na vida o futebol é, de fato, uma roda gigante. Essa analogia serve tanto para os árbitros, quanto para os dirigentes que detém o poder de acreditarem ou não no potencial do profissional que tem nas mãos. O grande problema é quando por vaidade ou incapacidade, a pessoa não consegue extrair do outro o que ele tem de melhor.

Um dos exemplos senão o maior entre eles é a história conturbada entre a árbitra da FIFA, Edna Alves, e o diretor de árbitros da Federação Paranaense de Futebol, Afonso Vitor de Oliveira. De um lado, a melhor árbitra do país. De outro, um gestor engolido pelo tempo que deixará como legado ter ignorado o talento da melhor árbitra em atividade no país, mas, ao mesmo tempo, ter potencializado dois dos piores da história recente do futebol.

Em meio à tudo isso, Edna deixou o quadro de árbitros do Paraná e foi para São Paulo. No tudo ou nada, caiu nas graças do presidente da CBF, Rogério Caboclo, que numa medida histórica determinou que a comissão nacional de arbitragem escalasse uma mulher na Série A do Brasileiro. Depois da investida do presidente, Leonardo Gaciba escalou Edna, em caráter de teste, sem muitas expectativas em razão do pouco caso que fizeram com sua carreira no Paraná. Mas para a alegria da arbitragem brasileira que precisava de um alento em meio ao pior quadro FIFA da história do país, Edna foi lá e deu conta do recado.

Além do currículo internacional invejável, a paranaense segue realizando sonhos e abrindo portas. Depois de apitar uma Copa do Mundo, dar show no Mundial de Clubes da FIFA, atuar em diversos confrontos e torneios internacionais e estar em evidência no Brasil conduzindo jogos com maestria, não se espante caso a FIFA, por meritocracia habilite-a para ser a primeira mulher a apitar uma Copa do Mundo masculina, fator que ao contrário do que ocorreu nas últimas duas copas, será motivo de orgulho para o país do futebol que um dia foi capaz de revelar grandes nomes para o esporte.

Se Edna carimbar seu passaporte ao Mundial do Catar, Afonso Vitor terá o currículo alimentado por mais uma frustração. Quem sabe assim, ao invés de retirar árbitros do quadro a esmo e ignorar a arbitragem feminina, o respeitável dirigente não se reinvente e reconheça que pelo menos no caso de Edna Alves, errou e errou feio, motivo que certamente até hoje deve lhe render muitas dores de cabeça.

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