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Queda de Gaciba pode evidenciar o que todos sabiam menos ele: em “sua” comissão, ninguém é seu amigo

Ele pode fingir não saber, mas demissão do ex-árbitro gaúcho é dada como certa nos bastidores do apito após o término do Campeonato Brasileiro 2020

Rio de Janeiro – Ele assumiu o comando da comissão de árbitros da CBF com a missão de mudar um cenário que há anos causa enormes prejuízos ao futebol brasileiro. Com a arbitragem em xeque, o gaúcho Leonardo Gaciba deixou o cargo de comentarista de arbitragem da Rede Globo, para gerir uma das pastas mais concorridas e a mais importante do apito no país. Mas um erro estratégico pode ter sido o estopim para que sua gestão fosse o fracasso que todos acabram vendo em pouco mais de dois anos de trabalho: confiar demais em quem nunca escondeu a vontade de estar em seu lugar.

Nos bastidores, a demissão de Leonardo Gaciba já é dada como certa após o fim do campeonato brasileiro. Embora seja conservador, motivo pelo qual não o demitiu com o campeonato sendo disputado, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, segurou até onde pôde a sua indicação pessoal, mas a pressão dos clubes e de diversos presidentes de federações ao longo da temporada, acabou fazendo com que o dirigente paulista reconsiderasse a decisão de continuar apostando na gestão Gaciba.

Desde que assumiu a CBF, Caboclo têm investido maciçamente no setor. Mas dentro de campo, os árbitros perderam, além da autoridade, a naturalidade, tudo isso graças a um modelo de trabalho que beneficia dentro de campo quem erra; que não atua em consonância e parceira com as comissões estaduais; e que apoia ações mentais de pertencimento que sugerem aos árbitros assistirem desenhos infantis para melhorarem o seu desempenho no campo de jogo.

A queda de Leonardo Gaciba e a promoção de Alício Pena Júnior, que com suas “auto-escalas” no Brasileirão, em 2020, recebeu muito mais que diversos árbitros, inclusive da FIFA, para o seu lugar, se ocorrer, confirmará o que todo mundo sabia, menos o gaúcho. Logo que tomou posse como presidente da comissão, em 2018, Alício “achava” que seria ele o nome escolhido. Fontes da Tribuna, à época, atestavam ser perceptível a insatisfação do ex-árbitro mineiro com a contratação do global, cujo qual acredita numa irmandade que é tão quimera quanto a incompetência de Sérgio Corrêa, dirigente que afundou a arbitragem brasileira com o seu falido VAR.

Ouvidos pela nossa reportagem, pelo menos 350 árbitros de todo país se posicionaram contra a demissão de Leonardo Gaciba e, a toda forma, se manifestaram contrários a uma inadequada e, aterrorizante promoção de Alício Pena ao comando da arbitragem brasileira. Além de ter um perfil centralizador, ditatorial e nem de longe lembrar o árbitro FIFA querido pelos colegas de outrora, Alício faz parte de um projeto de poder criado por Sérgio Corrêa, seu padrinho político que na década de dois mil o humilhou nacionalmente arrancando-lhe do quadro da FIFA.

Saindo pela porta dos fundos após assinar a pior gestão de arbitragem da história, Gaciba só não foi pior que o seu próprio ego. Além de bloquear jornalistas em aplicativos de mensagens, não ter uma gestão transparente, não conseguir renovar a arbitragem, ter dificuldades para estabelecer diálogo, insistir em aparecer e de não ter autoridade para montar sua comissão, seu maior legado como diretor de árbitros da CBF, será o de ter engolido a contratação da catarinense Érica Krauss como secretária da Escola de Árbitros da CBF, graças ao empenho do “construtor político” e ex-presidente da ANAF, Marco Antônio Martins, um dos nomes mais contraditórios do futebol.

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