ArbitragemDestaque

“Gaciba tem tudo para revolucionar a arbitragem brasileira”, diz presidente da ANAF

Questionado sobre a gestão do ex-árbitro da FIFA, Leonardo Gaciba, à frente da arbitragem brasileira, Salmo Valentim elogia trabalho e diz apoiar a permanência do dirigente gaúcho no comando da comissão

São Paulo – Sem papas na língua e conhecido pelas posições independentes que sempre priorizou ao longo de sua trajetória esportiva, o presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), Salmo Valentim, apontado pelos próprios árbitros como o maior líder sindical da história recente da arbitragem brasileira, atendeu na manhã deste domingo (03), a reportagem da Tribuna do Apito para um bate-papo franco e objetivo sobre a arbitragem de uma maneira geral.

Com o propósito de dar uma satisfação à categoria sobre sua gestão no comando da entidade, o economista pernambucano, entre outras coisas, falou sobre a parceria com o presidente da CBF, Rogério Caboclo; enalteceu o trabalho realizado pelos árbitros no campeonato brasileiro; contou detalhes sobre o projeto para a arbitragem brasileira que está criando; não escondeu a satisfação por ter livrado a ANAF de fechar as portas; e, sem pestanejar, elogiou a gestão do atual presidente da comissão de árbitros da CBF, Leonardo Gaciba, a quem diz “trabalhar para que continue fazendo a diferença no futebol nacional”.

Tribuna – Como você avalia hoje a arbitragem brasileira?

Salmo Valentim – Apitar futebol no Brasil é uma tarefa difícil por vários aspectos. Entre eles, a quantidade enorme de câmeras nos estádios que expõe de forma minuciosa o erro da arbitragem. Até ocorre, mas é difícil vermos qualquer elogio quando o acerto acontece. Em alguns momentos, o que vemos são críticas muitas vezes sem um embasamento técnico sobre o que é falado. É óbvio que podemos e iremos melhorar. A CBF, em tempos de pandemia, doou algo na casa dos quase R$ 3 milhões aos árbitros em um gesto de extrema grandeza do presidente Rogério Caboclo, acredito que isso comprova o compromisso da entidade de buscar a excelência da categoria.

Tribuna – Mas vimos muitos erros em 2020 e virou moda no futebol os clubes pedirem anulação de jogos em razão deles. Isso, na sua convicção, não expõe a fragilidade da arbitragem?

Salmo Valentim – Nenhum árbitro entra em campo querendo errar. Muito pelo contrário. Da mesma maneira que um clube contrata mal, que um jogador erra um pênalti e que um treinador mexe errado, nós também erramos. Ninguém vai defender o erro, mas entendo que não se pode polarizar uma discussão que na prática não vai servir de absolutamente nada. O que se deve fazer neste momento é corrigir o que deu errado e continuar investindo e implementando o que deu certo. O árbitro sempre será um eterno incompreendido.

Tribuna do Apito – Todos sabemos que o Gaciba é uma aposta pessoal do presidente Caboclo, mas que acabou não dando muito certo vide as escalas dos árbitros imunes que erravam a cada rodada e eram repetidos. Isso sem contar a falta de critério nessas designações tendo em vista que em algumas regiões muitos apitaram e, em outras, pouquíssimos ou quase nenhum. Como você avalia tudo isso?

Salmo Valentim – Vivemos em um país Continental. Fazer escalas é uma missão complexa que demanda uma série de fatores. Concordo que precisamos democratizar a arbitragem sem ver sotaque, raça, estado ou religião, e por isso lançamos uma campanha na ANAF, ainda no ano passado, justamente nesse sentido. Acredito, aposto e vou trabalhar em parceria para que o Gaciba possa revolucionar a arbitragem brasileira. Ele é dedicado, competente e possui todas as ferramentas para fazer isso.

Tribuna – A própria CBF anunciou, após sua última visita ao presidente Caboclo, que você, através da ANAF, entregaria um projeto para a arbitragem brasileira. Quais os principais parâmetros dessa proposta?

Salmo Valentim – Estamos ouvindo a sociedade de uma maneira geral para concluirmos o documento. Membros da imprensa, árbitros, sindicalistas, ex-árbitros, dirigentes… a ideia é complexa, mas democrática e aberta ao diálogo. Há uma série de instrumentos que podem ser colocados em prática para que possamos melhorar a nossa arbitragem. Temos hoje, no Brasil, algumas coisas que precisam ser corrigidas. Investe-se muito, mas em alguns setores esse investimento não traz o devido retorno. E aqui falo de escolas que não possuem alunos, cargos de assessores que muitas vezes não atendem as expectativas e, claro, como tenho dito, temos que presar pela democratização da arbitragem privilegiando não apenas seis estados e este ou aquele árbitro, mas todo país de um modo geral. Enquanto a arbitragem não sair da bolha e pessoas continuarem se perpetuando sendo mais importantes que projetos, o caminho será mais árduo e difícil.

Tribuna – No último congresso da ANAF, ano passado, no Recife, você sorteou dois carros zero km e bancou o evento com recursos próprios da entidade. Esse panorama é bem diferente ao que ocorria em anos anteriores em que o ex-presidente, seu então aliado político, vivia com o ‘pires nas mãos’ na CBF pedindo recursos para ajudar a realizar os congressos da ANAF. Na época, ele alegava que a entidade não tinha saúde financeira para realizar esses encontros sem o auxílio da CBF, mas hoje possui. O que mudou de lá para cá?

Salmo Valentim – Prefiro não olhar no retrovisor e falar sobre o presente, projetando o futuro. Cada um dos meus antecessores pôde, ao seu tempo, dar a contribuição que desejou para a entidade. Os desafios de conduzir uma entidade classe são enormes no Brasil e eu prefiro falar de projetos e não de pessoas. Em pouco mais de dois anos, realizamos o sorteio dos dois carros e, já adianto que este ano iremos sortear três e, em 2022, quatro carros. Além disso, criamos o Programa de Apoio aos Sindicatos (PAS), que visa auxiliar a nossa base sindical nos estados, para que os árbitros sejam atendidos. Reduzimos as taxas sindicais que a categoria contribui, e uma série de outras conquistas que deram o pontapé inicial em uma gestão voltada para os árbitros e não, para projetos pessoais de poder.

Tribuna – O presidente da CBF ordenou, embasado no que a FIFA pediu, que nenhum árbitro fosse substituído do quadro em razão da pandemia. Você achou a proposta válida?

Salmo Valentim – Acredito ter sido, sim, a melhor opção. A arbitragem brasileira, com apoio e investimentos por parte do presidente Rogério, e com trabalho e inovação do Gaciba, caminha, sem dúvidas, para ser a melhor do mundo. Entendo ainda que todos os nossos profissionais fazem por merecer esse título não só por sua credibilidade, como também, pela qualidade do que é exigido e apresentado no produto final no campo de jogo. Essa decisão comprova a humanidade não só da FIFA, bem como da CBF, cujo a ANAF apoia integralmente.

Tribuna – Salmo, estou te achando muito água com açúcar. O tempo e o poder te fizeram mudar por qual razão?

Salmo Valentim – Risos…. não mudei, sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa. O problema é que muitos acharam e torceram para que eu fosse em desencontro ao que era importante para o fortalecimento da ANAF e da própria categoria. Fui subestimado e agora mostro, sem alardes, com respeito as pessoas e instituições, como acredito ser uma gestão enxuta, transparente, responsável que priorize o que para nós é o mais importante, ou seja, a capacitação, estruturação e o crescimento da nossa arbitragem.

Tribuna – Como você definiria o presidente Rogério Caboclo em uma palavra?

Salmo Valentim – Extraordinário.

Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios