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Congresso da ANAF no Recife expõe fragilidade da antiga gestão

Entidade classe dos árbitros brasileiros realiza neste final de semana encontro na capital pernambucana para entidades representativas do setor

Pernambuco – Desde que assumiu o comando da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), o ex-árbitro pernambucano, Salmo Valentim, ainda não havia realizado um congresso que viabilizasse a discussão de propostas para melhorar o nível da arbitragem nos estados. Tudo isso em razão do seu método de gestão propositivo que tem visado injetar todo o recurso adquirido pela entidade diretamente na fonte, perfil diferente ao que ocorria nos últimos anos. 

Com o objetivo de não cometer o erro de repetir pautas que em nada agregam valor ao crescimento da atividade no país, a atual diretoria que é composta por alguns personagens que figuravam na que derreteu, prepara um encontro que, entre outras pautas, deve ser utilizado para anunciar o sorteio de dois carros zero km para os árbitros este mês. Fator que animou no início do ano a categoria que sempre se queixou de nada receber de sua entidade classe.

Outro tema que deve ser debatido é o momento de incertezas que a arbitragem brasileira atravessa atualmente. Com uma comissão nacional de arbitragem que a cada rodada esquenta a cadeira para os próximos dirigentes que a deverão assumir, os sindicalistas devem assinar uma carta conjunta com algumas sugestões para elevar o nível da categoria no campo de jogo, documento que deverá ser entregue ao presidente da CBF, Rogério Caboclo.

A novidade no congresso deste ano é que a CBF não está bancando a reunião dos sindicalistas do apito, algo que desde sempre acontecia. Alegando não ter recursos para bancar passagens, hospedagem e alimentação dos participantes, a antiga diretoria sempre recorria à CBF para pedir esse auxílio. Mas se curiosamente antes não havia dinheiro para realizá-lo, o que justifica a entidade ter hoje recursos em caixa sobrando para não só custear a ida de diversos sindicalistas, bem como, ajudar sindicatos que vivem como se não existissem?

Essa é uma pergunta bastante comum entre árbitros e auxiliares de todo país que até hoje não entenderam o que foi feito na ordem financeira da entidade nos últimos anos, mesmo que sua prestação de contas tenha sido aprovada. 

Com o desafio de estabelecer uma relação profissional com sua base política, Salmo Valentim, a seu tom nacionalmente conhecido, deve expor as fragilidades do setor promovendo uma lavagem de roupa suja nacional, tendo em vista que no Brasil, a maioria dos sindicalistas atuam nas federações. Um dos casos mais conhecidos é o de ex-presidente da entidade, Marco Martins, que não deve comparecer ao evento, especialmente por não ter sido convidado, que deixou o comando da entidade em 2018, para assumir uma cadeira na vice-presidência da Federação Catarinense de Futebol (FCF).

 

Unir esforços para que a arbitragem brasileira saia do “volume morto” deve ser um dos pontos principais deste encontro que promete fortes emoções. Com o objetivo claro de chacoalhar sua base eleitoral, basta saber agora se Salmo Valentim adotará um perfil “água com açúcar”, ou se estará disposto a promover um debate de alto nível, mesmo que alguns participantes desembarquem no Recife exclusivamente para passear ou aparecer, dando tapas na mesa como se o encontro fosse protagonizado por artistas circenses. 

 

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