ArbitragemDestaque

Com Leonardo Gaciba na berlinda, veja quem pode assumir a comissão de árbitros da CBF

Sucessivas mudanças no comando da arbitragem brasileira expõem a contradição das escolhas que foram feitas nos últimos quinze anos

São Paulo – A antipatia causada pela imagem desgastada do gaúcho Leonardo Gaciba no comando da arbitragem brasileira já começa a movimentar o tabuleiro nos bastidores do apito. Se por um lado há um forte movimento no 2º andar da casa do futebol para que Alício Penar Júnior, atual vice-presidente da comissão seja seu sucessor, por outro, com um alto índice de rejeição entre árbitros, instrutores, presidentes de federação e de comissão, o mineiro conseguiu a proeza de ultrapassar Sérgio Correa, ex-diretor de árbitros da CBF, neste quesito.

No anonimato remunerado morando em um confortável hotel bancado pela entidade na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, há quem diga que Correa não volta, porém caso seja convidado mesmo que em uma hipótese remota, dificilmente recusaria o convite.

Com o objetivo de oxigenar o setor para que a arbitragem deixe de ser um problema para Rogério Caboclo, interlocutores atestam que o presidente possui “uma enorme admiração por Gaciba”, ex-comentarista da Globo que se tornou uma aposta pessoal do presidente da CBF. Mas como no mundo corporativo a política de resultados fala mais alto, Gaciba perdeu espaço e já há quem acredite que a sua demissão poderá ocorrer antes mesmo do fim do campeonato brasileiro.

Demitir Gaciba, mas manter todo o sistema que há pelo menos quinze anos está enraizado no setor, sem dúvidas seria um erro. Mas com a principal competição da CBF em andamento e com a arbitragem no olho do furacão a cada rodada, sua queda neste momento significaria o que muitos árbitros temem que aconteça que é a nomeação de Alício Pena Júnior para a pasta.

Embora esse seja um panorama real, o também ex-coordenador de árbitros da CBF, Coronel Marcos Marinho, aliado de Caboclo e uma das pessoas mais respeitadas do futebol seria neste momento um nome de consenso, especialmente por conhecer todo o sistema de escalas e como a engrenagem da arbitragem funciona. Sua nomeação mesmo que de maneira interina, facilitaria a CBF buscar nomes que pudessem assumir o setor em 2021, algo que certamente seria mais conveniente neste momento de incertezas.

Entre os personagens mais especulados no futebol para a vaga de Gaciba, o do carioca Gutemberg de Paula Fonseca, ex-árbitro FIFA do Rio de Janeiro surge entre os favoritos. A seu favor além do currículo dentro de campo como árbitro internacional recordista em clássicos e decisões em todo país, existe também o fator político tendo em vista que ele além de amigo é também do grupo político do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Empresário bem sucedido e ex-secretário de Estado de Governo, e de Ordem Pública do município do Rio, teria o papel fundamental de articular a boa relação entre o governo brasileiro e a própria CBF, além de trabalhar para que a arbitragem brasileira pudesse reencontrar a sua identidade com treinamentos contínuos buscando a aproximação dos critérios que são usados no campo de jogo.

Com o perfil técnico exigido para dirigir a arbitragem nacional, o ex-árbitro mundialista Carlos Simon também surge no cenário nacional como postulante ao cargo. Além de ter um alto índice de popularidade pelas partidas memoráveis que conduziu quando estava na ativa, tem a seu favor o fato de ter representado o Brasil em três copas e um currículo que poucos árbitros na história conseguirão atingir. Além disso, é comentarista de arbitragem na TV e até hoje possui um excelente relacionamento com setores da arbitragem.

Por outro lado, enquanto presidente do SAFERGS (Sindicato dos Árbitros do Rio Grande do Sul), Simon desagradou parte da categoria que até hoje entende que ele teria utilizado as beneficias do cargo para fortalecer sua simpatia política pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Curiosamente em sua gestão nos pampas, o ex-governador Olívio Dutra, do PT, foi presenteado com um título de sócio benemérito da entidade.

Entre os principais líderes sindicais do esporte nacional, o pernambucano Salmo Valentim, especialmente pela amizade que possui com Rogério Caboclo, também é tido como um dos favoritos ao cargo. Com a postura de não dar entrevistas e falar apenas o que é conveniente no ponto de vista institucional graças ao ofício do cargo de presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), Valentim além do apoio da categoria, possui a seu favor não só a experiência como gestor, tendo em vista ter sido presidente de sindicado e de comissão, como também, o não apego ao cargo já que não precisa do futebol para viver tampouco completar sua renda.

Afilhado político de Castellar Neto, ex-presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), Giulliano Bozano é um nome de consenso caso seja o escolhido. Além de ter sido, assim como seu pai, Dalmo Bozzano, um dos melhores árbitros da história recente do futebol, é carismático, talentoso, conhece como poucos da atividade e poderia fazer um trabalho de excelência assim como o realizado no período em que conduziu a arbitragem mineira.

Por enquanto ainda não se sabe até onde vai a paciência do presidente da CBF com a fracassada gestão Gaciba. No entanto, enquanto Rogério Caboclo não toma uma decisão, o futebol aguarda os desdobramentos dessa página que a história se encarregará de esquecer.

Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios