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Exclusivo: 69% da arbitragem brasileira é contra a continuidade do VAR

De acordo com levantamento feito pela Tribuna do Apito, protocolo brasileiro é tido como o “pior do mundo” entre os países que utilizam a ferramenta

São Paulo – A tecnologia no futebol tornou-se em muitos países uma ferramenta preponderante para que injustiças históricas na modalidade não mais ocorressem. Se o VAR existisse há 34 anos, o gol de mão feito pelo argentino Maradona no confronto contra a Inglaterra durante partida válida pelas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, no México, não teria sido validado.

Maradona aproveitou uma bola espirrada pelo zagueiro Steve Hodge e, do alto de seu 1,65 m, superou o goleiro Peter Shilton para abrir o placar para a Argentina. O árbitro tunisiano Ali Bennaceur não viu que o atleta utilizou a sua mão esquerda para colocar a bola nas redes. Ao fim da partida, o camisa 10 disse ter marcado o gol “um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus.”

Mas se na maioria dos países a tecnologia vem dando certo, por que razão no Brasil o cenário é diferente? Essa foi a pergunta que durante cinco dias a Tribuna do Apito fez para árbitros e auxiliares em todo país. E o que boa parte deles revelou pode servir de parâmetro para que o presidente da CBF, Rogério Caboclo, avalie se realmente vale a pena continuar investindo em uma ferramenta que no Brasil não vem dando certo. E não precisa ser um especialista de futebol para saber disso.

Em jogos da Série B do Brasileirão, onde o VAR não atua, a arbitragem tem tido um bom desempenho, especialmente porque alguns FIFA’s que a cada rodada da Série A erram, mas continuam escalados, não atuam. Isso comprova que os erros humanos escancarados pela TV a cada rodada do Brasilierão, tenham feito com que, graças ao protocolo adotado pelo Brasil, a utilização da tecnologia pela falta de treinamentos contínuos mostrasse toda a fragilidade de uma categoria que perdeu sua naturalidade e que passou atuar apreensiva com tantas regras que ao invés de ajudar, acabaram atrapalhando o seu desempenho dentro e fora de campo.

Incomodados com as críticas e insatisfeitos com o VAR no Brasil, 69% dos árbitros e auxiliares ouvidos pela Tribuna do Apito se posicionaram contra a permanência do árbitro de vídeo no futebol nacional da maneira como é realizado. Outros 23%, aprovaram a ideia, mas questionaram o método brasileiro que leva para a cabine do VAR membros da comissão nacional de arbitragem. Ainda durante a pesquisa, 8% não quiseram ou não souberam responder.

Esse cenário em que os próprios árbitros se manifestam contra o VAR, comprova a ineficácia de uma ferramenta que tinha tudo para dar certo no Brasil, assim como ocorre em outros países, mas que infelizmente vem tornando o futebol chato, sendo alvo de críticas a cada rodada em que o mecanismo é utilizado. Isso tudo não só pela inadequação do protocolo brasileiro, como também, pela falta de um estímulo contínuo que vise efetivamente melhorar o seu desempenho.

Uma das imagens que mostram bem a falência do VAR brasileiro é a que foi estimulada pelo goleiro Gatito Fernandez, do Botafogo. O jogador alvinegro, que ficou revoltado com a anulação de dois gols de seu time na derrota por 2 a 0 para o Internacional, chutou a cabine do árbitro de vídeo que fica na lateral do campo de jogo. De cabeça fria, em seguida, justificou o ato, disse se arrepender, mas atacou a qualidade dos profissionais que operam a ferramenta no Brasil.

– O VAR chegou para ficar e está ajudando bastante o futebol no Brasil e em todo o mundo. O que não pode acontecer é termos profissionais completamente despreparados para usar tal ferramenta. Disparou.

Procurado para comentar a pesquisa, o coordenador de arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, não foi encontrado.

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