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Por que a arbitragem brasileira erra tanto?

Mesmo com alto investimento no setor, CBF não consegue estancar a crise que a cada rodada do campeonato brasileiro expõe a incompetência de sua comissão

SÃO PAULO (SP), 18.05.2019 – Futebol / Palmeiras x Santos – Gustavo Gomez do Palmeiras comemora gol durante partida entre Palmeiras e Santos, válida pela 5a rodada do Campeonato Brasileiro 2019, realizada no estádio do Pacaembu, neste Sábado (18). (Foto: Thiago Rodrigues/Ofotográfico/Folhapress)

Rio – Em qualquer empresa do mundo a política de resultados é a primeira condição para que um determinado setor seja avaliado. No futebol, modalidade que movimenta milhões de reais anuais e mexe não só com o imaginário, como com a paixão do torcedor, esse modelo de gestão deveria valer, mas infelizmente não é o que ocorre.

Na comissão nacional de arbitragem ser presidente ou ex-presidente é, de fato, um grande negócio. Mesmo que seja demitido o dirigente pode ficar tranquilo, afinal de contas um “cantinho” na entidade sempre será arrumado para que ele não perca o emprego. E a história mostra isso.

Talvez seja por decisões como essa que a arbitragem dentro de campo vive um dos piores momentos de sua história. Mesmo com todo apoio, respeito e investimento que Rogério Caboclo faz no segmento, o sucesso que o presidente da CBF conquistou em quase dois anos no poder, resgatando a imagem da entidade, infelizmente não conseguiu se estender a atuação da comissão que, sem um plano estratégico ou um projeto futurista, continua apostando na política do “menos do mesmo”.

O protocolo fracassado do VAR que criou o “quality manager” que nada mais é que um novo cargo que visa assolar os cofres dos clubes, está tornando o futebol sem graça. Com dificuldades para tomar decisão mesmo com o apoio da tecnologia, a ruindade da arbitragem brasileira é o retrato de quem a dirige. E não precisa ser especialista para saber que o Brasil é o único país em que o árbitro de vídeo não deu certo.

Com uma folha de pagamento que ultrapassa a casa do milhão de reais a cada ano, a CBF gasta muito para manter empregados profissionais que há anos estão atrelados a comissão de arbitragem, mas ainda não percebeu que todo esse investimento não está sendo justificado, vide a insatisfação da sociedade esportiva diante do panorama que a cada temporada se apresenta.

Mas por que razão a arbitragem brasileira erra tanto?

Com um projeto fracassado que transformou a arbitragem em números, Sérgio Corrêa, ex-presidente da comissão de árbitros da CBF foi o responsável pela ida de Sandro Meira Ricci, um dos árbitros mais contestados da história do futebol para duas copas do mundo consecutivas. Tudo isso graças ao “empenho brasileiro” de revelar árbitros políticos que dentro de campo colecionam polêmicas a cada designação.

A contratação do ex-global Leonardo Gaciba deveria mudar radicalmente um cenário que desde 2007 ceifou carreiras e protagonizou desgastes que colocaram a imagem institucional da CBF em xeque. Mas infelizmente não foi isso o que ele fez. Sem autonomia para demitir, tampouco para contratar pessoas que possam ajudá-lo a melhorar o nível da arbitragem apostando em árbitros que se esforçam, se dedicam e justificam sua confiança no campo de jogo, Gaciba optou por uma gestão que vai na contramão disso tudo, escolhendo a cada rodada árbitros que erram e são premiados como novas escalas.

O maior exemplo disso é o paranaense, mas que apita em Santa Catarina, Rafael Traci. Visivelmente fora dos padrões para um árbitro da FIFA e quase nada utilizado pela sul-americana, segue na ponta das escalas da Série A do campeonato brasileiro sendo um dos mais escalados em 2020. Além dele, o paulista Rodrigo D’Alonso, que mesmo sem perspectivas de futuro na carreira errando a cada designação, continua imune aos erros sendo constantemente escalado.

Enquanto isso, árbitros das regiões Norte e Nordeste do país seguem sendo desprestigiados por uma comissão montada pelo passado. Sem autoridade para assumir o protagonismo que lhe foi confiado por Rogério Caboclo, o continuísmo de Leonardo Gaciba é um erro que a cada rodada vai se tornando ainda mais perceptível.

 

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