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Salvo pelo VAR no Maracanã, Rafael Traci aceita pressão dos atletas e consolida sua fragilidade técnica

Com o polêmico critério de repetir na escala quem não vai bem, Leonardo Gaciba protege FIFA de Santa Catarina e assiste a mais uma arbitragem desastrosa no Brasileiro

Rio – É senso comum que a arbitragem brasileira atravessa um dos piores momentos de sua recente história. Sem uma comissão de arbitragem que atue para justificar o alto investimento feito pela CBF na contratação de pessoal, algo que todos os meses esfola a sua folha salarial, não precisa ser especialista no assunto para perceber que o ano de 2020 ainda promete fortes emoções. Basta ver que apenas em quatro rodadas do campeonato brasileiro, atuações bizarras seguem acontecendo graças a questionada gestão de Leonardo Gaciba à frente de uma das pastas mais importantes do futebol.

Na noite desta quarta-feira (10), o Flamengo recebeu o Grêmio, no Maracanã, para disputar o clássico nacional que reeditou a semifinal da Copa Libertadores do ano passado. Embora no início da temporada, as duas equipes fizeram um jogo truncado, mas bastante corrido. Ingredientes que exigiram que a arbitragem realizasse um trabalho de excelência sem deixar que a rivalidade entre os dois times estragasse o espetáculo. Mas infelizmente, não foi isso o que aconteceu.

Mesmo se dedicando exclusivamente a carreira, parece que a saída do Paraná não fez bem ao árbitro da FIFA, Rafael Traci. Pesado, sem ritmo de jogo e sem a mínima autoridade em campo, sua precoce promoção ao quadro internacional começa a esfacelar o retrato fiel do que é ser árbitro de futebol no Brasil na atualidade. Sem a naturalidade que mantém um árbitro em potencial atuando com regularidade em jogos que exigem um desempenho comparado a importância de seu escudo, por mais que Leonardo Gaciba se esforce, não adianta confiar em um árbitro que dentro de campo não consegue atender as mínimas expectativas.

O que se viu no Maracanã hoje, foi um “FIFA” incapaz de conduzir uma partida sem que os atletas mandem no jogo. A cada falta, entre as dezenas que marcou por ter sérias dificuldades de se posicionar em razão do momento físico extenuante que vive, Traci era cercado pelos atletas que já identificaram a sua fragilidade. Como consequência disto, intimidado, se viu obrigado, em diversas vezes, disparar cartões amarelos na tentativa desesperada de “segurar” o jogo.

Semelhante ao que se viu no seu desempenho físico e em sua acossada postura disciplinar, tecnicamente o resultado não poderia ser outro. Deixou de ver um pênalti claro a favor do Flamengo no segundo tempo, lance que não passou em branco aos olhos atentos do goiano André Castro, que deveria ter sido o árbitro central da partida não só por sua importância, como também, pelo talento inquestionável do árbitro goiano. Com a sinalização do VAR, Traci fez a verificação e assinalou, em seguida, a penalidade.

A responsabilidade do seu baixo desempenho se deve não a ele, que iniciou a temporada sentindo o peso de estar na FIFA, mas ao coordenador de arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, que aparentemente não sabe escalar e insiste no erro de utilizar um critério completamente equivocado que a cada rodada expõe ao país o seu descontrole emocional e sua incapacidade de utilizar a meritocracia como principal ferramenta entre as suas escolhas.

Entre os auxiliares, na bandeira 1 correu o paranaense Bruno Boschilia, que assinalou corretamente todos os impedimentos que apontou. Além de seguro e possuir uma postura acima da média, seu desempenho na lateral do campo justifica a importância do escudo que há anos carrega em seu peito. Concentrado, inteligente e extremamente talentoso, infelizmente estava no jogo certo, mas com o árbitro errado.

A mesma análise não pode ser aplicada ao desempenho do auxiliar número 2, de Santa Catarina, Alex dos Santos, que parecia não acreditar que estava escalado neste jogo. Com uma postura exagerada, muitas vezes robotizada e sem qualidade em sua sinalizações, apresentou dificuldades em correr na linha. Tudo isso faz com que sua escala na Série A do campeonato brasileiro, bem como a de Rafael Traci, desmotive quem busca uma oportunidade, mas não é olhado pela comissão de arbitragem que vem apresentando um critério que, na próxima rodada, provavelmente os beneficiará.

O Flamengo empatou com o Grêmio em 1 a 1, para delírio do técnico Renato Gaúcho que saiu de campo reclamando do trabalho da arbitragem. Basta saber agora se Leonardo Gaciba repetirá Rafael Traci na próxima audiência pública da CBF, ou se irá reconhecer que o Brasil possui hoje o pior quadro internacional de sua história, mesmo que nele existam poucas exceções.

 

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