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O ex-todo poderoso Sérgio Corrêa e o “legado” de uma gestão que até hoje beneficia seus amigos na CBF

Fora dos holofotes escanteado na direção do VAR, dirigente paulista que empregou amigos e cultivou muitos inimigos, mesmo no anonimato, segue influente no futebol

São Paulo – O futebol brasileiro viu nos últimos quinze anos pelo menos quatro presidentes assumirem o comando da CBF. Em meio as mudanças políticas que ocorreram no passado, um personagem controverso que durante muito tempo estampou as principais páginas esportivas do país pelos tropeços que cometeu, pode não parecer, mas continua cada vez mais influente nos corredores da entidade na Barra da Tijuca.

Militar reformado da Aeronáutica, Sérgio Corrêa chegou à CBF em 2005, época em que era dirigente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo (SAFESP), órgão que o ajudou a alavancar suas pretensões nacionais. Politicamente habilidoso e um exímio conhecedor dos números, como poucos soube camuflar as dificuldades da arbitragem por trás de gráficos que escondiam sua fragilidade administrativa. Fato é que se o Brasil possui hoje o pior quadro internacional de sua história, não se pode negar que a responsabilidade é praticamente toda dele.

Em 2007, após a saída de Edson Rezende do comando da arbitragem, Corrêa assumiu a comissão nacional iniciando ali um projeto de poder que até hoje segue enraizado na CBF. Basta ver que todas as pessoas que indicou, amigos e amigas, pessoais, seguem contratados da entidade que virou uma espécie de “puxadinho de sua casa”.

O que justifica um dos instrutores mais respeitados e admirados do país, seja por sua capacidade técnica ou intelectual, mas também pela simpatia que árbitros, ex-árbitros e dirigentes possuem por ele, como Roberto Perassi, em 2019 ser escalado como assessor nacional em 22 jogos, mas Gilberto Corrale, ex-auxiliar paulista, militar e amigo pessoal de Sérgio Corrêa, sair em 64 partidas? Não precisa ser um especialista no tema para perceber que neste caso, por melhor que o instrutor ligado ao ex-chefe da arbitragem brasileira seja, nada justifica essa discrepância que insiste em continuar aos olhos omissos de Leonardo Gaciba.

Mas não é só Gilberto Corrale que se beneficia da amizade de Sérgio Corrêa na CBF. Nos bastidores do futebol, embora negue, a psicóloga Dra. Martha Magalhães, antes de ser contratada pela entidade para assumir o pilar mental, pasta que para a grande maioria dos árbitros só serve para buscar informações pessoais e em nada os auxilia no campo de jogo, atuava como psicóloga de pessoas ligadas ao dirigente, curiosamente há mais de dez anos apenas ela comanda o setor na entidade.

Mesmo sem ter sido árbitro atuante, embora recentemente, segundo informações oficiosas tenha feito um curso de arbitragem para ter o diploma, o também ex-militar da Aeronáutica, Almir Alves de Mello há anos é contratado da CBF e atua na gestão da arbitragem brasileira. Amigo de Sérgio Corrêa, este ano estreou com analista do VAR. Curiosamente enquanto personagens importantes do futebol e que muito fizeram pela arbitragem não tem esse “reconhecimento”, Almir segue feliz da vida indo para o seu sexto jogo nesta temporada.

A lista de amigos beneficiados pela influência de Sérgio Corrêa na CBF não para por aí. O próprio Alício Pena Júnior, que segue sendo escalado, mesmo funcionário da CBF como analista do VAR, também foi contratado pela entidade logo que pendurou o apito após ter sido arrancado da FIFA pelo agora, ex-algoz. Alício embora não seja amigo próximo de Corrêa, deve a ele a carreira como gestor nacional já que foi o dirigente paulista quem o levou para trabalhar no Rio de Janeiro.

Embora enfraquecido politicamente, Corrêa segue vivo nos corredores da CBF atuando paulatinamente para manter o seu sistema funcionando. É assim que ele sobrevive contratado e atuando à frente de um segmento que durante muitos anos colecionou inimizades e polêmicas. Ao longo de sua gestão, foram vários os árbitros importantes que ficaram pelo caminho tendo suas carreiras ceifadas. Um deles é o próprio Alício Pena Júnior que optou por trabalhar ao lado do dirigente que fez sua vitoriosa carreira no futebol derreter.

Enquanto seus amigos seguem sendo os mais escalados do país, personagens importantes que marcaram época no futebol ficam fora, justamente por sua capacidade técnica, como no caso do ex-árbitro assistente gaúcho, Altemir Haussmann. Embora tenha um currículo importante para a geração que está chegando, o ex-auxiliar não é lembrado sequer para participar de cursos de instrutor, talvez por não ser ligado, assim como Corrale, a Sérgio Corrêa.

Impopular e sem o poder que durante muitos anos teve nas mãos, Sérgio está bem longe de ser um aliado da gestão Gaciba. Em um encontro recente com os árbitros, teria dito que o dirigente gaúcho “precisava mudar”, em alusão as reclamações constantes que árbitros, auxiliares, dirigentes e instrutores fazem a seu respeito. Enquanto isso, o futebol segue seu rumo e os amigos do ex-chefe da arbitragem brasileira continuam inabaláveis.

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