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Enquanto ANAF se acovarda, comissão nacional ensaia vínculo empregatício com os árbitros em plena pandemia

Vídeos exaustivos e metodologia coercitiva ditam moda na gestão de Leonardo Gaciba à frente da arbitragem brasileira

Rio – O sistema que há anos se enraizou nos anais da arbitragem brasileira fez com que muitas carreiras de sucesso no futebol ficassem pelo caminho. Enquanto ex-dirigentes usurpavam o poder para expandir suas relações interpessoais priorizando a amizade e os conchavos políticos que os auxiliavam a se perpetuar nos holofotes, a arbitragem brasileira foi sucumbindo e os resultados das últimas cinco copas do mundo comprovam bem isso. Em quase 20 anos, apenas dois árbitros brasileiros estiveram no mundial, fator que comprova o fracassado modelo de renovação realizado no país.

Com o mais envelhecido quadro de árbitros internacionais de sua história recente, a CBF tinha que tomar uma atitude para que outra metodologia de trabalho fosse implementada, afinal de contas, com a eleição de um novo presidente, a pasta mais desafiadora da casa do futebol precisava de uma oxigenada. E foi justamente isso o que ocorreu, entretanto, a nova escolha até agora não justificou toda a expectativa que foi gerada e a cada semana o que se vislumbra é o anúncio de um futuro ainda mais desanimador.

Sem autonomia para montar sua equipe de trabalho, tampouco com um projeto que estimule um novo momento para a arbitragem brasileira, o ex-comentarista de arbitragem, Leonardo Gaciba, aceitou um “prato feito” e o desastre da escolha até então mal sucedida de Rogério Caboclo, começa a render críticas de árbitros que oprimidos pelo medo de serem perseguidos e até expulsos do quadro, seguem amordaçados participando de um quiz interativo “não obrigatório”, protagonizado pelo ex-árbitro FIFA, que expõe a fragilidade de uma categoria que na teoria possui uma entidade classe, mas na prática, a dependência financeira e os conchavos políticos com a CBF, fazem com que a ANAF de hoje, continue sendo a mesma entidade de ontem.

Desde que foi fundada, a Associação Nacional dos árbitros de Futebol mais serviu como trampolim para os dirigentes que a conduziram, do que propriamente para auxiliar a arbitragem brasileira em momentos de crise. Fato é que na última eleição, o colégio eleitoral traduziu bem a falta de credibilidade da entidade que deveria servir como parâmetro institucional da categoria, mas que nem de longe seguia essa harmonia.

Não precisa ir muito longe para lembrar da campanha realizada pelos profissionais do apito em 2015, que pleiteava uma discreta porcentagem no direito de imagem no futebol para a categoria. À época, árbitros diziam palavras de ordem nas redes sociais e, no campo de jogo, além do minuto de silêncio, levantam uma placa com o “0,5%” em protesto contra a CBF, movimento que por leniência de seu então presidente, acabou sucumbindo fazendo com que todo o esforço histórico da categoria acabasse sendo ridicularizado em rede nacional.

Cinco anos depois desse episódio, o presidente à época tornou-se 5º vice-presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF), e todos os seus diretores, ou pelo menos parte deles, continuam administrando as sequelas deixadas entre os seus principais legados.

De lá para cá os sintomas são diferentes, mas o que se vê é uma preocupação da categoria que continua batendo cabeça sem um norte. Enquanto a comissão nacional de arbitragem censura os árbitros em grupos de WhatsApp e seu presidente assume a postura de bater com o telefone “na cara” de presidentes de comissões estaduais, a gestão ineficaz continua sendo realizada e os altos salários dos dirigentes continuam fazendo com que Rogério Caboclo não consiga sanar uma crise que começou anos atrás, quando o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, cometeu a insanidade de apostar em um personagem que anos depois tornar-se-ia o mais odiado entre árbitros, ex-árbitros, dirigentes e que até pouco tempo utilizava páginas clandestinas na internet para atacar desafetos políticos, a imprensa e a própria entidade que o fez sair do anonimato.

Todo esse sistema se arrasta até hoje e a única alternativa sensata e em condições para mudar tudo isso, infelizmente aos poucos vai agonizando no poder liderando uma gestão que a toda semana comprova a sua ineficácia administrativa. Sem um plano estratégico para revelar árbitros que possam ser protagonistas e não tapar buracos como será o que provavelmente ocorrerá na próxima Copa do Mundo, Leonardo Gaciba insiste no “menos do mesmo”, assinando documentos em apoio ao fracassado pilar mental e atuando de maneira coercitiva a estimular o repúdio dos árbitros que ao invés de apoio, a cada semana se sentem obrigados a participar das suas exageradas inserções virtuais.

Embora as leis trabalhistas vigentes no país sejam claras, parece que o presidente da comissão nacional de arbitragem ainda não entendeu o risco que está colocando a CBF. Na linha de frente para fortalecer o futebol dando melhores condições para a sua engrenagem, Rogério Caboclo continua vendo um dos seus setores mais importantes derreter, mas parece que o presidente ainda não se deu conta de que o melhor para a arbitragem brasileira é uma comissão que saiba gerir as pessoas e que assine um projeto futurista, eficaz, visionário e não uma circular em que sugere aos árbitros assistirem filmes como “Frozen e Aladdin”.

A arbitragem brasileira que um dia revelou nomes como Carlos Simon, Sidrack Marinho, Wilson Mendonça, Oscar Godoy, Arnaldo Cezar Coelho e o próprio José Roberto Wright que hoje assiste a tudo isso calado por também fazer parte do sistema que lá está, infelizmente nos próximos dez anos terá muito trabalho pela frente para se reinventar priorizando o critério técnico e não os algarismos que formam árbitros que estão mais preocupados com o gel que irão passar nas madeixas, do que com o bem sucedido trabalho no campo de jogo.

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