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Falta de autonomia da ANAF expõe desunião dos árbitros em indicação para o STJD

Procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva é o novo indicado da categoria para o pleno da Suprema Corte do futebol

 

Rio – A queda de braços e articulações políticas para a composição da nova formatação do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), revela alguns pontos importantes na engrenagem do futebol, mas que pouca gente conhece. Com a necessidade de ter maioria na Suprema Corte do Futebol para evitar embaraços e precedentes futuros como o racha causado nos desdobramentos da partida entre Aparecidense x Ponte Preta, pela Copa do Brasil, a CBF sempre conta com o apoio da arbitragem na indicação de um membro de consenso para o pleno. E seguindo essa lógica, a ANAF mais uma vez apoiou a entidade na escolha de um nome que como das outras vezes, não é oriundo da categoria.

Com a necessidade de estar politicamente de mãos dadas com a CBF por precisar financeiramente dela em razão do descaso de parte dos árbitros que só buscam a entidade classe quando a necessidade aparece, a ANAF indicou para o pleno, o atual procurador-geral, Felipe Bevilacqua, que no direito esportivo é um quadro respeitado entre os seus pares. Mas que nunca em sua vida acadêmica colocou um apito na boca ou palestrou sobre as regras do futebol.

A indicação será feita em razão da estratégia política utilizada pelo presidente Rogério Caboclo que teve habilidade para compor maioria no tribunal. Com essa flexibilidade, terá ainda mais facilidade para manter-se no poder fazendo as adequações que julgar necessário para o fortalecimento do futebol, mas também, da arbitragem.

Na composição do pleno, nove auditores formam a corte. A escolha acontece de acordo com indicações políticas realizadas pela CBF, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pelos clubes, atletas e, também, pela arbitragem. Mas se por um lado cada uma das entidades escolhe dois representantes, apenas a ANAF fica com a incumbência de indicar um único nome.

Depois que as escolhas são enviadas ao tribunal, os auditores definem quem serão os representantes de cada categoria nas cinco turmas do STJD. Historicamente a ANAF sempre indicou “amigos dos amigos” em troca de favores políticos que beneficiaram muitos dirigentes que usaram a entidade para fins pessoais. Esse fator fez com que os árbitros na maioria das vezes ficassem fora do bolo já que a rigor, não há uma obrigatoriedade para que essa indicação seja feita utilizando como critério o advogado ter sido árbitro, a única exceção foi o ex-auxiliar cearense, Márcio Torres, que durante anos lá esteve.

Indicar representares dos árbitros para o tribunal que rege o futebol sempre foi uma decisão embaraçosa, pois na maioria das vezes necessitou que o presidente da ANAF fosse ouvir a CBF. E dessa vez não foi diferente. Além de indicar alguém de confiança não dos árbitros, mas de Rogério Caboclo, a entidade nacional continua pisando em ovos para manter boas relações, mesmo que funcionários do presidente insistam em atuar nos bastidores para enfraquecê-la.

O anúncio dos novos membros do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), só será realizado no próximo dia 14 de julho, data que conheceremos o nome do novo procurador-geral que se nada der errado será Ronaldo Piacente, representante dos árbitros indicado pela ANAF anos atrás e que semelhante a Felipe Bevilacqua provavelmente não conhece nada de arbitragem.

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