Arbitragem

Árbitros questionam método de gestão feito por Leonardo Gaciba na CBF

Dirigente gaúcho diz não ser obrigatória a participação em quiz interativo criado por ele, mas categoria desaprova aulas virtuais

Rio – Em meio à pandemia causada pelo coronavírus no país, a maior preocupação que a população tem tido é em relação a manutenção dos empregos, tendo em vista a disseminação do vírus e os impactos econômicos que ele causa. Mas parece que o presidente do Comitê de Árbitros da CBF, Leonardo Gaciba, não tem se importado com isso, já que a cada semana a necessidade das lentes tem feito com que o quiz interativo criado por ele continue gerando uma enorme insatisfação em árbitros e assistentes de todo país.

Com o discurso de que a participação dos árbitros em seu quiz não é obrigatória, Gaciba tenta livrar a CBF de futuras ações judiciais que questionem o vínculo empregatício do árbitro com a entidade. Mas ele se esquece que há na legislação uma série de parâmetros que podem pôr em controvérsia o seu ponto de vista causando uma série de problemas jurídicos ao presidente Rogério Caboclo que até então não sabia do descontentamento dos árbitros em relação a esse episódio.

Na condição de anonimato, um árbitro na Região Sudeste questiona o método de gestão do dirigente gaúcho e critica o quiz.

– O presidente da comissão precisa entender que eu tenho mais o que fazer. A CBF não paga meu salário no final do mês e eu não posso ficar o tempo todo assistindo seus vídeos sem sentido, pois a minha preocupação de agora é a de levar o alimento para dentro de casa, pois sem jogos e sem escalas, a vida ficou ainda mais difícil.

Outro profissional, dessa vez da Região Sul, foi mais além. “Sei que ele tem boa intenção, mas alguém precisa informá-lo que nem todos possuem tempo para se dedicar a esses vídeos que ele manda, ainda mais agora. Será que o presidente Rogério não está vendo isso? Será que ele também grava vídeos para os jogadores, presidentes de federação e clubes? Estamos no meio da pandemia, mas parece que o Gaciba não sabe disso.

As reclamações em relação ao quiz do Gaciba não param por aí. Um árbitro do Nordeste disse se sentir ameaçado e relatou o seu descontentamento.

– Antes ele mandava os vídeos e nos deixava à vontade. Agora todos tem que fazer porque indiretamente você sente um tom de ameaça na fala. E eu me senti assim. Pede para não deixar para os últimos minutos e sempre coloca um horário final para o envio das respostas. Fazer correndo nunca vai dar certo. Outro dia ele mandou um vídeo dizendo que a comissão está lá para corrigir e ajudar, mas disse que “vamos tirar acima de 8, né de gente”. Como não se sentir ameaçado com isso? Eu trabalho e quando chego em casa tenho que preparar minhas coisas do outro dia e cuidar da minha família.

A nossa reportagem entrou em contato com Leonardo Gaciba para que ele pudesse falar sobre o tema. Mas até o fechamento da matéria o diretor de árbitros da CBF não foi encontrado.

Atualizado às 14h01, 19/05/2020

Em nome da comissão nacional, o ex-árbitro e membro, Cláudio Cerdeira, nos enviou uma nota sobre a pauta trazida pela Tribuna do Apito. No documento, o ex-árbitro FIFA esclarece a metodologia de ensino criada virtualmente pelo órgão.

O primeiro esclarecimento, é que nenhum árbitro é obrigado a participar desse tipo de reciclagem, só devendo fazê-lo, àqueles que entenderem que trata-se de uma forma de mantê-los motivados e com os reflexos apurados, para quando da volta do futebol.

A exibição de vídeos, tem se mostrado uma didática excelente porque mostra os lances reais que ocorreram nos jogos das Séries A e B, de 2018 e 2019, para que os árbitros interpretem cada um deles, tanto na parte técnica, quanto na disciplinar.

Depois das respostas dos árbitros, assistentes e analistas, a Comissão dá o feedback a eles, através das considerações e da construção das respostas para que possam melhor entender e aplicar no campo de jogo.

Temos tido relatos de árbitros que gostariam que essa dinâmica prosseguisse após o início dos campeonatos e penso que essa forma de encarar o estudo, é o diferencial entre o árbitro que quer crescer e aquele que se contenta com a posição em que está.

O que essa minoria de árbitros que faz contato com a TRIBUA DO APITO, não leva em consideração, é que para eles receberem os 20 vídeos semanais, para desenvolvimento e aprendizagem, a Comissão de arbitragem se dá ao trabalho de selecionar o dobro desse número de vídeos e faz a edição de todos, para envio. Depois, ainda temos que tabular as respostas para vermos qual o tema que estão encontrando maior dificuldade, e ainda preparar o gabarito para o feedback.

A Comissão tem se reunido rotineiramente durante toda a semana para preparar com carinho todo esse material de estudo.

Por fim, o que alguns árbitros interpretam como cobrança, nós entendemos que é uma forma de incentivar a participação da maioria e incentivar ao estudo das regras.

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