Arbitragem

No dia do trabalhador, comissão de árbitros da CBF presenteia categoria com metodologia de exclusão

Leonardo Gaciba ordena que árbitros do quadro nacional respondam se foram infectados pela Covid-19, exponham renda familiar e “periodicidade de treinamentos” em plena pandemia

RioO Comitê de Árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), divulgou nesta sexta-feira (01), através do instrutor físico Paulo Camello, um questionário com perguntas pessoais determinando que todos os árbitros e auxiliares que compõem o quadro nacional, o respondam “obrigatoriamente”. Nos 36 itens formulados, o órgão chefiado pelo ex-comentarista de arbitragem, Leonardo Gaciba, quer saber se os árbitros contraíram o coronavírus e quanto de renda passaram receber depois do surto da doença no país.

O espanto é que em pleno dia do trabalhador, os profissionais são arrolados, ainda, sobre questões familiares, entre elas, se algum parente foi diagnosticado com a Covid-19 e qual o índice de influência financeira oriundo do futebol os árbitros disponibilizam para seus rendimentos, fatores que deveriam ser compartilhados, também, por todos os membros do Comitê de Árbitros da CBF, como o próprio Paulo Camello que há quase duas décadas é quem chefia o pilar físico dos profissionais que fazem parte do quadro nacional, como se no país apenas ele fosse capacitado para a função.

Curiosamente na pergunta “26” da pesquisa, o comitê quer saber que tipo de evolução os árbitros tiveram durante a pandemia, entre as opções estão: física, social ou técnica, justificando, talvez, os vídeos sem sentido que o próprio presidente do órgão semanalmente os envia, numa espécie de “quiz interativo” que a maioria não gosta de responder, mas participa com receio de não ser escalado quando as competições forem retomadas.

O questionário foi recebido de maneira negativa por árbitros e auxiliares em todo país que enviaram durante todo o dia de hoje relatos diferentes à Tribuna do Apito denunciando a pesquisa. Muitos sentem vergonha de dizer que dependem do futebol para viver e, em alguns casos, há relatos de profissionais que se sentem lesados em informar questões pessoais que em nada contribuem para o seu desempenho no campo de jogo.

Há pouco mais de um ano no cargo, o gaúcho Leonardo Gaciba ainda não mostrou a que veio desde que assumiu a arbitragem brasileira. Sem um projeto eficaz que comprove e justifique o alto investimento feito pela CBF em sua contratação, decisões incoerentes como o apoio ao pilar mental que ridiculariza a arbitragem sugerindo filmes e brincadeiras infantis durante a quarentena; modificações contestáveis no quadro internacional; quiz interativos submetendo os árbitros a participarem de perguntas sobre regras e lances de jogo expondo a própria CBF a futuras ações na justiça por suposto vínculo empregatício, formam algumas das suas principais ações até aqui.

Questionar a renda dos árbitros em pleno auge do coronavírus no país, deveria ser a última ação do Comitê Nacional de Arbitragem neste momento de incertezas. Enquanto parte da categoria ficou fora do aporte financeiro que a CBF destinou aos árbitros, como profissionais que ficaram grávidas no ano passado e árbitros que foram reprovados nas avaliações físicas e teóricas, o comitê de arbitragem, “dono do critério”, foi mais além ao desmoralizar publicamente o ex-árbitro da FIFA, Francisco Carlos do Nascimento, que segundo fontes na Federação Alagoana de Futebol (FAF), recebeu taxa de “Série D”, como justificativa de não ter atuado na última temporada, mesmo sendo um recurso oriundo dos cofres da CBF, e não do bolso de Leonardo Gaciba.

A facilidade de falar diante das câmeras por ter sido logo que deixou a arbitragem, comentarista esportivo, parece ter deixado o ex-árbitro gaúcho dependente de qualquer lente. Fato é que essa necessidade de se portar aos “seus árbitros”, como o mesmo faz questão de revelar, constantemente, comprova a sua preocupação com uma imagem que a todo momento derrete com decisões desastrosas como a deste questionário sem sentido.

A inércia da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), diante desse panorama, não é habitual. Mesmo na linha de frente com ações produtivas para a categoria após o resgate do equilíbrio financeiro e moral da entidade, sua atual diretoria até o momento ainda não se manifestou diante da pesquisa inadequada que Paulo Camello exige que os árbitros respondam. Fator que empobrece o trabalho que até então vem sendo realizado.

Nós procuramos a CBF para que se manifestasse sobre as 36 perguntas enviadas aos árbitros em plena pandemia, mas até o fechamento da reportagem, não obtivemos respostas. Diretores da ANAF procurados pela nossa reportagem também não quiseram se manifestar.

O link encaminhado aos árbitros com todas as perguntas você confere clicando AQUI! Já o vídeo do instrutor Paulo Camello justificando a pesquisa coercitiva você confere AQUI! 

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