Política

“Muitos desafios pela frente”, diz presidente da ANAF em entrevista exclusiva

Salmo Valentim fala sobre carreira, relação com a CBF e pede a união da arbitragem Brasileira

PERNAMBUCO – Pontualmente no horário marcado Salmo Valentim nos esperava. Com o bom humor que lhe é peculiar, o presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), recebeu a nossa reportagem para uma entrevista exclusiva semanas antes de estourar no país a pandemia causada pelo Covid-19, o novo coronavírus.

De hábitos simples mesmo entre as personalidades sindicais mais importantes do estado de Pernambuco, o filho do saudoso José Valentim e de dona Lucila não joga palavras ao vento, tampouco ignora as perguntas. Ex-árbitro que apitava “coquinho e cocada” como o próprio faz questão de revelar, durante os anos em que vestiu o uniforme da arbitragem sentiu na pele as dificuldades que a categoria passa para conquistar o sucesso no futebol.

Depois de aposentar-se, optou por sair candidato à presidência da ANAF quando aliados esperavam que isso não fosse ocorrer. De posição, não só manteve a candidatura, como foi eleito para conduzir os rumos da entidade por quatro anos, tempo em que promete continuar empenhado para que a arbitragem brasileira se fortaleça cada dia mais.

Leia a entrevista que Salmo Valentim concedeu à Tribuna:

Tribuna – Você sente saudades de estar no campo de jogo?

Salmo – Com certeza! Foram anos de muito aprendizado e alegrias. Conheci lugares que não teria ido se não fosse através do futebol. Pessoas também. Tudo isso nos marca. Hoje, fora das quatro linhas, sempre me sinto como se ainda estivesse lá dentro sentindo a vibração de um pênalti bem marcado. É muito bom.

Tribuna – Como era a sua relação com Carlos Alberto, ex-presidente da Federação Pernambucana de Futebol?

Salmo – Ele era um homem de posição. Divergíamos no campo das ideias, mas sempre houve um respeito mútuo. Na época em que eu era presidente do Sindicato dos Árbitros de Pernambuco era comum nos encontrarmos. Durante anos, Carlos Alberto se dedicou ao esporte e até hoje lamentamos a sua partida. Mas é um personagem que merece todo o nosso reconhecimento, pois era agregador e respeitava a nossa categoria.

Tribuna – Você foi presidente de comissão em Pernambuco. Como foi esse período?

Salmo – Desafiador, com absoluta certeza! A Federação Pernambucana de Futebol acredita no segmento e tudo fica mais fácil quando há pessoas que entendem que arbitragem não é despesa, mas investimento. Parece clichê, mas é verdade. Fazer gestão no futebol demanda estudo e planejamento. Hoje em dia com a quantidade de câmeras espalhadas no campo de jogo, o árbitro está cada vez mais exposto. Foi uma experiência positiva que muito me honrou. Aproveito a oportunidade para agradecer a Dr. Evandro pela oportunidade e a Murilo Falcão pelo convite. Seus bons exemplos serviram de vitrine para que eu pudesse me espelhar tanto na gestão, quanto na relação com os árbitros.

Tribuna – No final de 2018 você tomou posse como presidente da ANAF. Qual foi o panorama encontrado?

Salmo – É preciso termos uma agenda positiva para a nossa categoria. Olhar para o retrovisor não resolve os problemas e desafios que temos pela frente. Estamos procurando dar sequência ao que deu certo e corrigir o que não deu. Minha gestão visa fortalecer os árbitros fazendo com que a sua entidade classe caminhe com as próprias pernas. Mas esse trabalho demanda tempo e muito diálogo.

Tribuna – A sua relação com o ex-presidente Marco Martins estremeceu ou ainda é como era anteriormente à sua posse?

Salmo – Participei das duas eleições que o conduziram presidente. É uma pessoa que muito contribuiu para a arbitragem como árbitro e dirigente. Vi suas filhas pequenas e ele os meus. Mas o tempo fez com que caminhássemos para frentes distintas. Ele hoje é vice-presidente da federação catarinense de futebol e eu sigo sindicalista. O futebol é amplo e cada um é livre para fazer as escolhas que desejar.

Tribuna – Muitos árbitros questionam a atuação da ANAF em relação ao direito de imagem e sobre a profissionalização. Essas duas pautas fazem parte da sua gestão?

Salmo – Tenho conversado constantemente com o presidente e amigo Rogério Caboclo sobre isso. Entendo os anseios da categoria e estou empenhado para que possamos encontrar um caminho para que esse objetivo antes utópico, vire realidade. Vejo algumas pessoas compararem a profissionalização que ocorre em outros países com a “nossa”. Mas algumas delas se esquecem que o Brasil é um país gigante. É possível profissionalizar a arbitragem? Claro que é! Mas para que isso ocorra, a categoria precisa se unir, afinal de contas não existe comandante sem tropa.

Tribuna – O auxílio da tecnologia especialmente com a criação do VAR facilita ou atrapalha o trabalho da arbitragem?

Salmo – Depende do seu ponto de vista. Quantos resultados com a ajuda tecnológica foram legitimados? Eu sou completamente favorável a utilização do VAR. Sua eficácia é indiscutível. Agora, o treinamento proposto pode não ser o adequado. Talvez por isso a sua continuidade venha sendo constantemente questionada. Mas ainda acho que se deveinvestir na proposta para aprimorá-la cada vez mais.

Tribuna – O que esperar da ANAF nos próximos anos?

Salmo Muito trabalho, dedicação e empenho para ajudar a dirimir os desafios da nossa arbitragem. Ser árbitro de futebol no Brasil não é fácil, mas estamos no caminho certo na busca incessante pelo bem comum. Uma entidade de classe só se fortalece com a participação e união dos seus associados. O diálogo, respeito e transparência sempre serão os pontos fortes de nossa gestão.

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